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Críticas Curtas | 'La Noche del Virgen' (MOTELX 2017)

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Pode dizer-se que 'La Noche del Virgen', a primeira longa-metragem do realizador espanhol Roberto San Sebastian, é uma comédia de terror um pouco diferente do habitual. Uma inversão de géneros apresentada de forma macabra e nada súbtil.

 

A comédia – que se mantém ao longo de todo o filme de forma consistente – é das poucas coisas que ajudam o espectador a manter a boa disposição. Isto porque o horror toma formas grotescas, onde cada acção parece querer superar o choque que a cena anterior causou. Situações e elementos do nosso dia-a-dia que causam repulsa, são expostos sem qualquer tipo de pudor ou preconceito, tornando esta numa das comédias de terror mais originais dos últimos tempos.

 

'La Noche del Virgen' é divertido, chocante, cómico e levado a extremos, o que o torna único mas que dificilmente vai agradar às massas – principalmente a quem é mais impressionável. É um filme que não se esquece, mas que dificilmente se vai querer ver de novo.

 

 

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Críticas Curtas | 'Happy Hunting' (MOTELX 2017)

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'Happy Hunting' é um perfeito exemplo de estilo sobre substância. Uma cinematografia esplendorosa, onde inúmeras imagens enchem o ecrã com belos momentos de arte, e onde se usa (e abusa) da "hora mágica". No que toca à estória, a mesma é da espessura de uma folha de papel. Sabemos o que motiva o protagonista a mover-se do ponto A ao B, mas sem qualquer informação adicional. Não existe um desenvolvimento (necessário) das personagens, o que as torna unidimensionais e vazias. Essa total ausência de contéudo cria um afastamento no espectador, que observa um mero espectáculo de acções e reacções, sem se preocupar minimamente com os objectivos do protagonista.

 

Um filme é habitualmente composto por várias partes, desde o elenco (que aqui faz o possível com o que lhe é dado), ao argumento, à visão do realizador e o respectivo orçamento para conseguir tornar essa visão uma realidade. Aqui existiu somente a concretização de uma delas, a visão, o que acaba por transformar 'Happy Hunting' num filme que não fica na memória por muito tempo.

 

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Críticas Curtas | 'Super Dark Times' (MOTELX 2017)

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'Super Dark Times', filme que abriu o Festival MOTELX 2017, é um astuto estudo sobre a perda da inocência, excelentemente interpretada por um elenco maioritariamente jovem.

 

Com uma bela cinematografia e uma narrativa que se vai desenvolvendo a um ritmo lento (mas nunca aborrecido), este forte thriller demonstra de forma honesta (e por vezes assustadora) tensões e angústias de um grupo de amigos, onde um incidente muda as suas vidas para sempre.

 

O que sobressai neste filme é o seu investimento emocional, causado por um retrato da adolescência que parece tudo menos artificial. Uma narrativa que se desenvolve de forma harmoniosa e natural – excluindo alguns detalhes do último acto, onde parece existir a necessidade de nos (re)lembrar o género em se insere.

 

Comparado por muitos como uma mistura entre 'Donnie Darko' e 'Stand By Me', 'Super Dark Times' é um excelente thriller que se desenvolve de forma inesperada e emotiva, criando uma fácil empatia entre o espectador e as personagens.

 

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Críticas Curtas | 'The Endless' (MOTELX 2017)

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'The Endless' é o terceiro filme da dupla Justin Benson e Aaron Moorhead, regressando aqui à mitologia que abordaram no seu primeiro filme, 'Resolution'.

 

Apesar de não poder competir com os blockbusters de ficção cientifica (no que toca às capacidades financeiras), este desafia a imaginação do espectador. Uma mescla perfeita entre o drama e o sobrenatural, com uma narrativa que se assemelha em alguns aspectos a projectos como 'Another Earth' ou 'The OA'.

 

O que começa como um drama sobre a relação de dois irmãos, e a forma como ambos lidam com a vida após sobreviverem a um culto, cedo se transforma numa visão amplificada sobre a mortalidade e os comportamentos humanos face ao desconhecido.

 

Este "obriga" o espectador a ter uma mente aberta e inquisidora, de forma a disfrutar de uma excelente experiência, provando que não são necessários milhões de dólares em efeitos visuais, mas sim uma estória construida capazmente.

 

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Críticas Curtas | 'Atomic Blonde – Agente Especial' (2017)

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De forma menos elaborada, pode dizer-se que 'Atomic Blonde' é uma espécie de 'John Wick' no feminino, onde as semelhanças são evidentes (e positivas): excelentes coreografias de acção, brutalidade estilizada e crua, e um humor negro nas alturas certas – o que ajuda a criar uma certa leveza na violência. Estas similaridades têm David Leitch como denominador comum. Realizador dos dois filmes, Leitch começou a sua carreira como duplo e coreógrafo de cenas de acção.

 

Outro dos pontos extremamente positivos é a banda sonora, composta por inúmeros êxitos New Wave dos anos 80 como 'Blue Monday' de New Order, 'Cat People (Putting Out Fire)' de David Bowie, 'Father Figure' de George Michael, 'Behind the Wheel' de Depeche Mode, entre muitos outros.

 

Apesar de todos estes aspectos positivos, o argumento é o principal ponto fraco desta adaptação da novela gráfica 'The Coldest City'. Um thriller de espiões, onde as relações entre as personagens são demasiado superficiais e unidimensionais, o que dificulta (e muito) a envolvência emocional por parte do espectador com os protagonistas.

 

Com mais estilo que substância, 'Atomic Blonde' cumpre e entretém; muito devido a Charlize Theron, que tem aqui uma interpretação de elevada exigência física.

 

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O que os críticos dizem de 'Wonder Woman'

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Agora que os críticos já podem publicar os seus textos sobre 'Wonder Woman', verifica-se uma generalidade de opiniões bastante positivas – neste momento tem uma pontuação de 97% no site Rotten Tomatoes – num filme que marca um passo importante para o Universo Cinematográfico DC.

 

Depois da fraca recepção de 'Batman v Superman: Dawn of Justice' e 'Suicide Squad', 'Wonder Woman' poderá ser o filme que dá a tão desejada volta de 180º.

 

Kelly Lawler (USA Today):

"Este filme é de Gadot, e ela é electrizante como Wonder Woman, um papel onde se estreou no ano passado em 'Batman v Superman: Dawn of Justice' com grandes elogios da crítica. Separando-se da triste bagagem que o filme acarreta, a actriz israelita brilha tanto nos momentos mais pequenos, como quando levanta um tanque com as suas próprias mãos."

 

Alicia Lutes (Nerdist):

"É um alívio que Wonder Woman sobressaia onde os outros filmes da DC não conseguiram. A sua reflexão sobre o amor e a sua essência é subtil em muitos aspectos. As crenças e a fé de Diana na humanidade é um amor profundo, bem mais profundo do que em qualquer outro filme de super-heróis."

 

Kristy Puchko (CBR):

"Em vez de histórias sobre boas pessoas relutantes e inquietas, este filme desfruta das maravilhas e excitação de ser um super-herói. A expressão de Gadot ilumina-se quando Diana testa os seus limites e salta para a acção, salvando o dia."

 

O que os críticos dizem de 'The Fate of the Furious'

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O oitavo filme da saga 'The Fast and the Furious' está prestes a estrear, e as críticas parecem estar mais do que divididas.

 

Enquanto uns consideram 'The Fate of the Furious' como mais uma entrada de puro entretenimento, que se encaixa perfeitamente neste franchise, outros afirmam que este é o pior filme da saga até ao momento.

 

'The Fate of the Furious' estreia esta quinta-feira, 13 de Abril, em Portugal.

 

 

David D’Arcy (Screen Daily):

"Este oitavo filme do franchise 'The Fast and the Furious', realizado por F. Gary Gray (‘Straight Outta Compton’), é fiável, contendo uma ensurdecedora quantidade de acidentes de carros que vão manter a audiência alvo satisfeita, enquanto mistura novos elementos de forma inteligente."

 

David Ehrlich (Indiewire):

"'F8' é o pior destes filmes desde '2 Fast 2 Furious', sendo até capaz de ser pior. É o 'Die Another Day' deste franchise – vazio e genérico, comparado com os anteriores, desrespeitando a sua orgulhosa herança a cada curva. Como é o que o grande F. Gary Gray, cujo surpreendente remake de 'The Italian Job' expressou um enorme talento para o caos entre veículos, desperdiça o maior orçamento da sua carreira em algo tão aborrecido? Como é que Diesel e companhia, conseguiram aprender todas as lições erradas dos últimos dois filmes, dando-nos um episódio onde tudo parece tão falso, e onde a mensagem de que a família é o que importa, parece forçado.

 

Jim Vejvoda (IGN):

"'The Fate of the Furious' é um entretenimento que roça o ridículo, como seria de esperar. É sem dúvida melhor do que os trailers – que parecem mais uma paródia dos filmes 'The Fast and Furious' – sugeriam. Realmente, nenhum oitavo filme de nenhuma franchise consegue ser tão divertido e eficaz como 'Fate' consegue ser."

 

O que os críticos dizem de 'T2: Trainspotting'

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A sequela do filme de culto 'Trainspotting' (1996) está prestes a estrear – em Portugal a estreia está prevista para 23 de Fevereiro.

 

As primeiras críticas começam agora a surgir online e, ao que parece, revelam opiniões bastante positivas.

 

The Telegraph

"O original 'Trainspotting' – T1, um nome que espero não ser usado para chamar este filme – foi lançado no Reino Unido há cerca de 21 anos atrás, e foi tão contagioso que se torna impossível de igualar. Talvez por ser um produto criado pela altura em que foi feito (ou vice-versa). Não há hipótese do seu sucessor igualar esse legado, mas também não o mancha. Apesar de se alimentar do seu precursor, esta sequela acaba por ter o seu próprio valor."

 

 

The Independent

"Danny Boyle descreveu 'Trainspotting' como o 'Star Wars Escocês'. Isso é acrescentar pressão em si mesmo, no que diz respeito a realizar a sequela. O que é deveras impressionante em T2, é como consegue manter-se fiél ao espirito do filme original, ao mesmo tempo que reconhece e aceita todas as mudanças que surgiram ao longo destes 20 anos.

 

 

Empire

Se o primeiro filme é sobre as alegrias de ser jovem – o hedonismo, os erros, a camaradagem – T2 é sobre as desilusões da idade adulta – as limitações, os remorsos, a necessidade de reconexão. O passado destes amigos está inextricavelmente interligado com o presente, sendo esta a pungência do filme. Boyle consegue de forma audaz criar um filme sombrio sobre a vida deste grupo de 40 e poucos anos. Mesmo assim, será isto que queremos de um 'Trainspotting'?

 

 

Digital Spy

"Apesar de ser um filme inegávelmente bem feito, cheio de gags visuais, slo-mo e edições que tentam recriar o talento do primeiro filme – existindo gags muito bem conseguidos, bem como comoventes momentos trágico-cómicos que o realizador Danny Boyle é particularmente bom – este dificilmente consegue atingir a euforia do original." 

 

 

The Guardian

'T2: Trainspotting' de Danny Boyle é tudo o que, de forma razoável, poderia esperar – assustador, engraçado, desesperadamente triste e visualmente próspero. O que começou como um quadro da marginalidade britânica dos anos 90, renasce agora como uma escabrosa e brutal comédia negra, sobre as desilusões e o medo da morte por parte destes homens de meia idade."

 

 

NME

Com uma palpitante banda sonora que nos traz novos sons como Wolf Alice e Young Fathers, e uma deslumbrante actualização do icónico discurso "Choose life" de Renton, Danny Boyle dá-nos um filme que desencadeia uma adrenalina quase tão satisfatória como a do filme original.

 

Cinefilia de Fim de Semana | 'Luna de Miel', 'Other People' e 'The Huntsman: Winter's War'

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'Luna de Miel' (ou 'Honeymoon') é um filme indie mexicano, que aborda a obsessão e a solidão através do rapto. Uma história já vista milhares de vezes, mas que aqui ganha uma lufada de ar fresco devido a uma interacção bem conseguida pelos dois protagonistas. Um thriller psicológico que roça o torture porn, com leves pitadas de comédia – o que ajuda a dar uma certa leveza a um tema que dificilmente será visto como cómico.

 

 

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'Other People' é uma bela comédia dramática, que examina os efeitos que o cancro pode ter numa familia, mais concretamente na forma como os filhos lidam com uma doença que lentamente os vai afastando da sua matriarca.
Tal como sucedeu com '50/50', este filme consegue fugir inteligentemente aos clichés e à habitual tendência de pôr a audiência a chorar. Um projecto honesto e emotivo do escritor/realizador Chris Kelly, que consegue, através das suas próprias experiências, transmitir algo transcendente e universal.

 

 

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O que inicialmente estava planeado para ser uma sequela, acabou por se tornar num spin-off focado na personagem do Caçador, interpretado de novo por Chris Hemsworth. Este apresenta uma história fraca e com personagens unidimensionais, mas ao mesmo tempo consegue manter um ritmo que não aborrece o espectador, acabando por funcionar como mera ferramenta de distracção e entretenimento.
Uma prequela/sequela/spin-off que tem um elenco de luxo e uma excelente fotografia, mas que no final nos deixa com uma pequena voz na consciência que diz "este filme era completamente escusado".

'Captain Fantastic' | Uma emotiva experiência sobre a sobrevivência e a sociedade

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Esta comédia dramática é sem dúvida um dos melhores filmes de 2016. Uma história de amor e extremos, centrado numa familia que vive isolada da sociedade e que se foca nos valores mais primários da natureza humana. Um estudo de personagem original e imprevisivel, que nos dá uma visão de algo puro e honesto, num mundo cada vez mais mais absorvido pelo consumismo e intolerância.

 

Viggo Mortensen tem aqui uma das suas melhores prestações, como um pai sincero que tenta ensinar à sua familia valores de inteligência e sobrevivência, que são vistos pela sociedade como algo estranho e fora do comum.

 

Uma bela e emotiva experiência, que se junta a uma pequena élite de filmes sobre pessoas que decidem fugir à sociedade Americana, como 'Into the Wild' (2007) ou 'The Ballad of Jack and Rose' (2005).