Cannes 2012 (Dia 8): ‘On The Road’ e ‘Io e Te’

 

No dia 23 de Maio, o oitavo dia do Festival de Cannes, foi dia de ‘On The Road’, o esperado filme de Walter Salles que adapta o famoso romance de Jack Kerouac.
‘Io e Te’ foi outro dos filmes exibidos, e que marca o regresso de Bernardo Bertolucci – que já não realizava desde ‘The Dreamers’ de 2003.

 

‘ON THE ROAD’

No dia a seguir a morte do pai, Sal Paradise, aprendiz escritor nova-iorquino, encontra Dean Moriarty, jovem presidiário com charme devastador, casado com a muito libre e sedutora Marylou. Entre Sal e Dean, o entendimento é imediato e fusional. Decididos em não ficarem prisoneiros de uma vida demasiada mesquinha, os dois amigos rompem com as suas ligações e partem com Marylou. Com sede de liberdade, os três jovens vão ao encontro do mundo, dos outros e deles próprios.

Rope of Silicon:

Bem feito, mas vazio, ‘On the Road’ consegue capturar o espírito da américa dos anos 40, num filme centrado numa viagem pelo país, com cigarros, sexo, bebida e roubo de comida e gasolina. Infelizmente como narrativa tem muito pouco a dizer. O resultado entediante desta adaptação do famoso romance de Jack Kerouac é infeliz, mesmo tendo em conta a cinematografia fabulosa de Eric Gautier, a realização de Walter Salles e as interpretações de topo. […] De uma forma geral, este não é um grande filme. É repetitivo e entediante, uma cena atrás da outra, acabando por não existir distinção.

The Playlist:

Se existe alguma coisa que afecta ‘On the Road’, é sem dúvida que o filme está repleto de cenas – sexo, drogas, ser livre – que são muito mais gratificantes se formos nós a fazê-las, do que visualizá-las no ecrã. […] A fotografia de Eric Gautier (‘Into the Wild’, ‘A Christmas Tale’) é fabulosa, mas passado algum tempo o filme parece-nos como qualquer outro road movie – não interessa o quão bonito é o cenário, eventualmente vamos querer sair do carro. [Walter] Salles pode ter conseguido fazer uma adaptação fiél do romance de Kerouac, mas com o passar do tempo começamos a desejar por uma adaptação menos fiél e uma história mais cinemática.

 

‘IO E TE’

Lorenzo é um jovem solitário de 14 anos, diferente dos outros. Vai enganar os pais e faltar a uma viagem escolar de esqui para realizar o sonho de se esconder numa cave abandonada do prédio onde mora. Durante toda uma semana, poderá finalmente evitar todos os conflitos e as pressões e comportar-se como um adolescente “normal”. Quer viver no isolamento total com a sua música e livros preferidos. Mas a chegada inesperada da meia-irmã Olivia vai mudar tudo. Ela é mais velha e tem a experiência do mundo. O tempo que vão passar juntos vai inspirar Lorenzo, que um dia poderá dizer adeus à sua vida de miúdo e lançar-se na confusão da vida dos adultos.

The Hollywood Reporter:

Bertolucci continua um elegante artesão. A luz nítida e texturizada de Fabio Cianchetti, bem como a produção de Jean Rabasse, dá vida e densidade a este espaço confinado. A inquieta banda sonora  de Franco Piersanti é bem entremeada com músicas de The Cure, Red Hot Chili Peppers, Arcade Fire e David Bowie. Apesar de ser recompensante ver que Bertolucci regressa com algo significativo, este é um filme que adiciona pouco significado há já muito viajada estrada cinematográfica da solidão e confusão juvenil.

The Guardian:

Bertolucci, bem como os atores Antinori e Falco, traçam uma relação tocante e crescente que se vai desenvolvendo: não existe uma grande amizade, não são amantes – mas estranhos aliados contra a infelicidade que o mundo lhes oferece. […] A última imagem é possivelmente um aceno a Truffaut, apesar do final como um todo ser um pouco apressado. Este espirituoso e forte filme de Bertolucci mostrou a Cannes que ele ainda é uma força a ser reconhecida.

 

 

 
 

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