Cannes 2011 – Dia 9 e 10: ‘La Piel Que Habito’ e ‘Drive’

 

No dia 19 de Maio (Quinta-feira) esteve em foco o novo filme de Pedro Almodóvar‘La Piel Que Habito’, com Antonio Banderas, que volta a colaborar com Almodóvar depois de ‘Ata-me!’, de 1990. Este foi considerado um filme que explora novos campos, como o horror, na já longa filmografia do cineasta.

Desde que a sua mulher foi vítima de um acidente de automóvel, o doutor Robert Ledgard, eminente cirurgião estético, dedica-se à criação de uma nova pele graças à qual poderia salvá-la. Doze anos após o drama, Robert consegue cultivar uma pele que é uma verdadeira couraça contra todas as agressões. Para além de muitos anos de investigação e de experimentação, Robert precisa de um cobaia, de um cumplice e de uma ausência total de escrúpulos. Os escrúpulos nunca o afogaram. Marília, a mulher que se ocupou de Robert desde o dia em que nasceu, é a cumplice a mais fiel do mundo. Quanto ao cobaia…

The Guardian

‘La Piel Que Habito’ é uma adaptação do romance Mygale (Tarantula) de Thierry Jonquet, mas claramente que Almodóvar tirou ideias de ‘Eyes Without a Face’ (1960) de Georges Franju, e possivelmente de ‘Open Your Eyes’ (1997) de Alejandro Amenábar.[...] Mas as influências e as alusões deixam de ser importantes, dado ao facto de que quase todas as cenas e formas de composição, nos fazem recordar outros filmes de Almodóvar. [...] Para aqueles que gostavam que Almodóvar fizesse algo mais radical, então ‘La Piel Que Habito’ poderá ser a resposta. Só poderei dizer que fiquei agarrado do início ao fim.”

The Hollywood Reporter

“O mundo de Pedro Almodóvar ficou ainda mais estranho, depois de ‘La Piel Que Habito’. Juntamente com os temas habituais de Almodóvar, como a traição, ansiedade, solidão, identidade sexual e morte, o realizador espanhol adicionou um elemento de ficção-científica que raia o horror. Mas como muitas experiências em laboratório, este híbrido melodramático cria uma fusão instável. Somente alguém tão talentoso como Almodóvar consegue misturar estes elementos sem estragar o filme.”

Indie Wire

“Almodóvar demora imenso tempo a revelar o mistério, o que não justifica o resultado final. Hitchcock teria criado um thriller credível e Cronenberg talvez acentuasse as suas qualidades, mas Almodóvar nunca foca nenhum desses pontos. [...] Apesar disso, o realizador consegue criar uma estranha, mas atraente atmosfera. [...] O resultado é inventivo, como se Almodóvar quisesse somente a oportunidade de se afastar da área dramática, onde ele usualmente reside.”

No dia 19, ‘Drive’, de Nicolas Winding Refn (‘Valhalla Rising’, ‘Bronson’) com Ryan Gosling no papel principal, foi o filme que se destacou na categoria Em Competição, tendo obtido críticas bastante positivas.

Um duplo acrobático tranquilo e anónimo transforma-se assim que a noite cai – trabalha como piloto de automóvel por conta da máfia. O arranjo funciona bem até ao dia em que um dos assaltos degenera arrastando-o numa corrida de perseguição infernal. Ele quer vingar-se de quem o traiu…

Obsessed With Film

“‘Drive’ funciona durante a primeira metade da sua duração. Só tem interesse quando se parece com um filme de Steve McQueen, meticulosamente realizado, sem ter a necessidade de ultrapassar a barreira do plausivel. [...] O resto, infelizmente, é uma desordem – [Nicolas Winding] Refn transforma um inteligente thriller num filme semelhante ao de Nicolas Cage, esquecendo o que foi construido no inicio, com excesso de exploitation, cliches, tornando-se doloroso ver no que ‘Drive’ se torna. [...] Mas não me entendam mal, ‘Drive’ vale a pena, e Refn é um realizador com um talento supremo. Ele tem um dom para a composição e não consigo expremir o quanto gostei da primeira parte do filme.”

First Showing

“‘Drive’  é a mais recente colaboração entre o actor Ryan Gosling e o cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn, que é um dos poucos filmes que eu considero perfeito. É sem dúvida muito bom. [...] Admito que tive alguns problemas com os anteriores filmes de Refn. Detestei ‘Valhalla Rising’ e só gostei de Tom Hardy em ‘Bronson’, mas com ‘Drive’ ele prova que tem muito potencial. [...] Apesar de ter sido o último filme que vi em Cannes, depois de uma mão cheia de filmes espectaculares, ‘Drive’ é mesmo o meu favorito dos 21 filmes que vi neste festival. Durante o filme só pensava que este se tornará rapidamente num clássico, e a única palavra que permaneceu no fim foi perfeito. Pode ter algumas pequenas falhas, mas esta obra prima merece todo o respeito e valor.”

Hoje, dia 21, vai estrear ‘La Source des Femmes’, de Radu Mihaileanu, que será exibido na categoria Em Competição.

 
 

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